quarta-feira, 31 de março de 2010

Cortadores de cana se dedicam aos estudos no Pontal do Paranapanema - GR

Essa é uma reportagem que passou no Globo Rural, mostrando que os agricultores estão buscando aprender novas funções para escapar do desemprego, o que pode acontecer com a crescente mecanização das lavouras de cana-de-açúcar da região.

http://www.youtube.com/watch?v=8WVPj2m3sOM

Postado por: Rafael Amorim

Apesar da mecanização, usinas de cana contratam.

"Ao mesmo tempo que emprega mais máquinas, a indústria canavieira também está empregando mais gente. Mesmo com o aumento da mecanização, que já chegou a 50% das lavouras, o número de trabalhadores rurais vinculados ao setor sucroalcooleiro cresceu 39% no período de 2003 a 2008, segundo pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).

A expectativa era de que a mecanização produzisse demissões em massa, já que cada colheitadeira substitui o trabalho de 80 cortadores. Mas isso ainda não ocorreu, segundo a economista Márcia Azanha de Moraes, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), responsável pelo estudo.

As razões para tal contradição, segundo ela, ainda carecem de um estudo mais aprofundado. Mas a suspeita mais óbvia é que o crescimento do setor nesse período foi tão grande que acabou compensando a perda de mão de obra na lavoura.

A cana é a planta que mais gera empregos na agricultura brasileira: cerca de 1,2 milhão, pelos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), compilados por Márcia. Em 2008, segundo ela, havia 629 mil pessoas trabalhando com a lavoura de cana - mais do que com café (479 mil) e quase o mesmo que soja, milho, arroz, citros e mandioca, juntos (633 mil).

Outras 567 mil pessoas trabalham no ramo industrial da cana, ligados ao refino de açúcar e álcool. Se forem considerados apenas os empregos formais ligados à produção de bioetanol, esse número é de 465 mil trabalhadores - seis vezes mais do que emprega a indústria do petróleo (73 mil), segundo a pesquisadora. "


Fonte: O Estado de S. Paulo
Segunda-feira, Março 29, 2010

Postado por Rafael Amorim

sexta-feira, 26 de março de 2010

Mais empregos com o etanol

26/3/2010

Por Fábio Reynol

Agência FAPESP – O aumento da produção do etanol em 15% para atender a demanda pelo combustível deverá gerar cerca de 170 mil postos de trabalho em toda a cadeia produtiva. A outra boa notícia é que a qualificação desses postos de trabalho também tem aumentado.

A análise, a partir de estudo coordenado por Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), foi apresentada na Convenção Latino-Americana do Projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB), realizada esta semana na sede da FAPESP.

A cana-de-açúcar é a cultura que mais emprega no Brasil, sendo responsável atualmente por 629 mil postos de trabalho, o que equivale a mais de um quinto da mão de obra empregada na agricultura do país, segundo Márcia, que é ligada ao Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq.

Mesmo com a mecanização da lavoura, o número de postos de trabalho aumentou no período de 1981 a 2008, especialmente por conta da expansão do setor a fim de abastecer o mercado de combustíveis, apontou o estudo. Atualmente, cerca de metade da produção agrícola é mecanizada enquanto o restante permanece com técnicas manuais.

“A mecanização tende a aumentar graças à agenda de proibição da queima da cana para a colheita, prevista em lei”, disse a pesquisadora, referindo-se à Lei n° 11.241 do Estado de São Paulo, que determina a redução gradual da queima até a sua extinção total no ano de 2031.

O aumento da mecanização levará a perdas de postos de trabalho, segundo cálculos da pesquisa. Eles apontam o desaparecimento de oito vagas, em média, para cada máquina adquirida. “A mecanização pode significar o corte de 50 mil a 100 mil postos de trabalho”, disse Márcia.

Mesmo assim, o aumento da produção de etanol deve suplantar essas perdas, gerando 170 mil postos de trabalho nos próximos anos, o que equivaleria a um aumento de R$ 236 milhões na economia.

O estudo também comparou os impactos sociais com os da indústria do petróleo, que empregava 73 mil trabalhadores no ano de 2007. “É um número seis vezes menor do que os empregados da cana-de-açúcar, que eram 465 mil naquele ano”, disse.

Além de mais numerosos, os empregos gerados pela cana são mais bem distribuídos pelo país em comparação aos do petróleo. Enquanto a produção petrolífera se concentra em uma parte da faixa litorânea, a indústria da cana está espalhada por vários Estados brasileiros, o que ajuda a estender os benefícios econômicos e sociais a mais lugares.

A desigualdade entre as regiões, no entanto, perdura dentro do próprio setor sucroalcooleiro. Enquanto no Estado de São Paulo o trabalhador recebe em média US$ 456 por mês (o equivalente a R$ 820), no Nordeste a média salarial fica em torno de US$ 349 (R$ 630). Em todo caso, o setor paga, em média, 51% a mais do que o salário mínimo nacional.

A diferença no tempo de escolaridade também é latente no setor e considerada baixa em todo o país. Os empregados com maior tempo de estudo atuam em São Paulo e possuem em média 5,4 anos de estudo. No Nordeste, a média cai para 3,1 anos.

“O setor também concentra um grande número de empregados analfabetos, totalizando 24% de toda a mão de obra, uma multidão de 120 mil trabalhadores”, ressaltou Márcia.

Treinamento e ensino

Mas a pesquisa também levantou que a qualificação do trabalhador e a qualidade do emprego do setor têm aumentado. A cana-de-açúcar possui 81% de seus trabalhadores formalmente contratados, uma exceção no setor agrícola nacional, que tem apenas 40% de sua mão de obra com carteira de trabalho assinada.

“Isso significa que eles estão protegidos pela legislação e gozam de direitos como férias remuneradas, seguro social e fundo de garantia”, apontou a professora da Esalq.

O trabalho infantil no setor também foi praticamente erradicado desde 1981, segundo o estudo. Naquele ano, 15,3% dos trabalhadores da cultura de cana-de-açúcar tinham entre 10 e 15 anos de idade. Em 2008, os menores de idade eram 0,09%. “Isso se deve a políticas governamentais de incentivo, a uma fiscalização mais acirrada e a uma pressão do próprio mercado”, disse Márcia.

A necessidade de aumento na qualificação, no entanto, permanece. A pesquisadora citou o esforço da União Nacional da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), que recentemente promoveu o treinamento de 7 mil trabalhadores a fim de que se qualificassem para operar máquinas agrícolas.

Segundo Márcia, a baixa escolaridade ainda presente pode significar um gargalo importante na expansão do setor e, para contorná-lo, serão necessárias tanto estratégias da iniciativa privada como políticas públicas específicas.


Postado por: Jaqueline Cardoso

quarta-feira, 24 de março de 2010

Compromisso Nacional

Em uma entrevista para a revista brasileira de Bioenergia, Marcps Jank,presidente da UNICA ( União das Indústrias de Cana-de-Açúcar)umas das instituições mais importantes do setor brasileiro, respondeu a seguinte pergunta.

O que é o Compromisso Nacional para Apeifeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar assinado recentemente?

"O compromisso foi uma realização histórica, pelas própria forma final do processo iniciado a pedido do presidente Lula. Não há outro exemplo no Brasil em que empresas, trabalhadores e o governo se reuniram e desenvolveram cerca de trintas práticas com que todos concordam, todos assinam embaixo. Trata-se de um ineditismo raro e muito positivo. O que o comprimisso faz é valorizar as nelhores práticas trabalhistas já existentes no setor sucroenergético brasileiro, transformando-as em patamares a ser atingidos por todos. São patamares de desempenho empresarial que vão além do que determina a lei, efetivamente nivelando por cimas as práticas do setor como um todo. A adesão chegou a algo como 80% de todas as empresas do setor sucroenergético do País, o que mostra que o compromisso é real e vai além do nome dado a esse documento. Ficamos muito orgulhosos por participar do processo que gerou esse documento, um processo consuzido pelo ministro Luiz Dulci (Chefe da Secretaria-geral da Presidência da República) com grande habilidae e sensibilidade e que, por isso mesmo, gerou um produto final muito positivo e cosntrutivo".


Postado por: Jaqueline Cardoso

Cortadores de cana iniciam requalificação profissional no centro-oeste paulista

Trabalhadores rurais que atuam no corte manual da cana-de-açúcar na região de Lençóis Paulista e Bauru iniciaram, nesta segunda-feira (22/03), a primeira etapa do curso para se tornarem mecânicos de máquinas colhedoras de cana. As aulas, que integram o Projeto Renovação, a maior iniciativa de requalificação de trabalhadores da cana já realizada pelo setor sucroenergético brasileiro, terão duração de um mês e serão ministradas nas dependências do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Lençóis Paulista.

O objetivo do Renovação é treinar e requalificar até sete mil trabalhadores por ano, tanto os que atuam em operações manuais de cana de açúcar quanto integrantes das comunidades onde estão as usinas. Todos serão treinados para atividades dentro das usinas ou em outros setores da economia onde haja demanda. A iniciativa foi desenvolvida pela UNICA em parceria com a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e patrocínio das empresas Syngenta, Case IH e John Deere.

Para a assessora de responsabilidade social corporativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Maria Luiza Barbosa, o Renovação é de fundamental importância para o crescimento da indústria da cana: “A relevância cresce muito em função das novas perspectivas de produção da cana, que englobam questões ambientais e de inovação tecnológica, como é o caso da mecanização da colheita,” observou.

Cerca de 40 trabalhadores ligados à usina São Manoel e a cinco unidades do Grupo Cosan, empresas associadas à UNICA, participaram do evento de lançamento, realizado na sede do Senai em Lençóis Paulista. No Estado de São Paulo, onde mais de metade da colheita da cana já é feita com máquinas, existem atualmente cerca de 140 mil cortadores manuais de cana. A atividade canavieira é um dos setores que mais geram empregos diretos no Brasil, somando cerca de 840 mil vagas em todo o país.

O cronograma completo dos cursos que fazem parte da agenda do Projeto para a região de Lençóis Paulista e Bauru terá duração total de quatro meses. Em abril, serão oferecidas vagas para a qualificação de mecânico de trator. Em junho, outras turmas farão cursos de eletricista de trator e soldador. No mês seguinte, os trabalhadores terão a oportunidade de aprender a profissão de eletricista de colhedora.


UNICA- União da Indústria de Cana-de-açúcar
23/03/10

sexta-feira, 19 de março de 2010

Cortadores de cana ganham medidas para melhorar condições de trabalho

Em entrevista realizada, no dia 17 de julho de 2009, nos estúdios da EBC Serviços, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, falou sobre o compromisso nacional para aperfeiçoar o trabalho na cana-de-açúcar, firmado entre Governo, empresários e trabalhadores.

Leia abaixo os principais trechos.

Condições de trabalho

Negociamos durante 11 meses. O presidente Lula resolveu constituir esta mesa em junho do ano passado. É algo inédito. Na história das relações trabalhistas brasileiras nunca houve uma negociação entre empresários, trabalhadores e Governo, de caráter nacional e válida para o conjunto de um setor econômico, que neste caso é chamado de sucroalcooleiro.

São 18 compromissos. Quase todos acima do que a lei já prevê. Já existem órgãos encarregados de fiscalizar o cumprimento da lei pelos empresários. Então, por exemplo, vai acabar a terceirização de mão-de-obra. Aquele chamado gato, uma pessoa que contratava os trabalhadores e levava para trabalhar nas empresas.

Agora, as empresas vão contratar diretamente, com carteira assinada, com todos os direitos. Ou, então, as empresas contratarão através do Sine (Sistema Público de Emprego). A medição do que o trabalhador produzir por dia, a medição obrigatoriamente será feita na frente dele.

Havia muita desconfiança do trabalhador. Cortava-se a cana e depois ia para outro lugar medir, sem que ele soubesse. Agora não. O preço a ser pago por aquilo que for produzido também será combinado antes.

As empresas vão fornecer hidratação gratuita. Um trabalho que é feito ao ar livre, no sol, é muito penoso. Não estava previsto na lei. As empresas também vão fornecer soro gratuito, todo dia.

Outra coisa importantíssima é a pausa, não só a do almoço. Haverá intervalo de manhã, no meio da jornada, e à tarde.

Equipamentos de proteção

Os trabalhadores vão receber gratuitamente equipamentos de proteção individual. O transporte, antes feito em caminhões, levando os chamados bóias-frias, terá que ser realizado em condições adequadas, fiscalizadas pelos órgãos do Governo.

Haverá tempo para fazer ginástica laboral, uma vez que o trabalho no corte de cana é tão penoso que pode até trazer problemas musculares. Tudo isso pago e garantido pelas empresas.

Trabalho infantil, escravo ou degradante

Felizmente, no setor sucroalcooleiro o trabalho infantil não existe mais. Ele é residual.

No último período, há aproximadamente um ano, não foi encontrada pela fiscalização do Ministério do Trabalho, ou do próprio Ministério Público do Trabalho, nenhum caso de trabalho infantil no setor.

A maioria das empresas nunca teve problemas de trabalho escravo. Mas outras, sim. E a repercussão que dá é como se todo o setor tivesse esse tipo de problema. Então, ele precisa ser eliminado. E não é só por causa da imagem da nossa produção no exterior.
Não havendo nenhum caso de trabalho escravo no setor, ninguém poderá fazer propaganda negativa contra nossos produtos.

Requalificação dos trabalhadores

De fato, com o avanço da mecanização, a previsão é de que muitos trabalhadores nesse setor venha a perder seu emprego. Por exemplo, cada máquina colheitadeira que é adotada por uma empresa gera a perda de emprego de 80 trabalhadores.

Mas nesse momento da vida brasileira, como tem havido muita expansão da produção de etanol, não há desemprego. Ao contrário, há expansão. Eram 450 mil, passaram para 500 mil nesse último período.

A previsão é que haverá perda e já estamos nos preparando pra isso.

Tanto o Governo quanto as empresas pretendem requalificar os trabalhadores. Parte deles será aproveitada na própria indústria suco-alcooleira como operador de trator, mecânico, eletricista etc.

O pessoal que não conseguir ficar no setor, daremos qualificação profissional para que possam ser reaproveitados em outros setores, agrícola ou industrial. Trabalhar com reflorestamento, com horticultura, ou também na construção civil, no artesanato etc.

Vinte e cinco por cento desses trabalhadores continuarão nas próprias usinas em outras funções. Outros terão que ser reaproveitados no meio rural ou urbano. Parte será aproveitada via Governo para apoiar a agricultura familiar.

Mas nem todos os trabalhadores que perderem o emprego no setor poderão ser aproveitados na própria área agrícola. Alguns preferem ir para as cidades.

Temos que oferecer também profissões urbanas pra eles, para que possam aproveitar essa criação de empregos que o Brasil tem realizado no ultimo período.

Aumento para aposentados e pensionistas

Estamos conversando com as centrais sindicais, com as entidades representativas dos aposentados, em especial a Cobap, que é a maior organização de defesa dos direitos dos aposentados no País.

Também com o Congresso Nacional, porque os projetos estão tramitando lá.

Nosso objetivo é estabelecer um acordo de tal maneira que possa haver uma mudança no chamado fator previdenciário, para beneficiar trabalhadores que ainda irão se aposentar.

Garanto que ainda não tem percentual decidido.

Em janeiro do ano que vem, junto com o reajuste do salário mínimo, que é outro benefício que os trabalhadores brasileiros conquistaram, mesmo aqueles aposentados que não ganham o salário mínimo, que ganham acima do salário mínimo, terão algum tipo de reajuste real acima da inflação, superior à inflação.

Durante o Governo do presidente Lula negociamos com as centrais sindicais e não só demos aumento real todos os anos - o salário mínimo nesses anos já teve um reajuste de 60% acima da inflação - mas também fomos recuando ano a ano.

Era maio, passou para abril, depois para março, fevereiro, e no próximo ano o reajuste do mínimo já será em janeiro. Isso faz parte da nossa negociação. Mas o acordo será fechado em agosto.

Fonte: Em Questão

Postado por: Gustavo Romera Céspedes

TRABALHO NO CORTE DE CANA TEM DIAS CONTADOS, DIZ ESTUDO

Em SP, acerto entre usineiros e governo prevê fim das atividades em dez anos.
A profissão do bóia-fria da cana-de-açúcar está com os dias contados no Brasil. É o que aponta estudo da Esalq/USP, que mediu os efeitos da mecanização das lavouras. Segundo a pesquisa, houve queda de 20,9% no número total de trabalhadores rurais no setor entre 1981 e 2004, que passou de 625 mil para 494 mil. Em contraste com essa queda, houve aumento de 166,3% na produção de cana no período -de 156 milhões de toneladas para 415 milhões de toneladas.
A mecanização vem aumentando ano a ano, segundo o estudo, por ao menos três razões: econômica, legal e social. Além do uso de máquinas otimizar a produção e substituir o pagamento de mão-de-obra -uma colheitadeira substitui o trabalho de cem cortadores de cana-, foram criadas leis para extinguir a colheita manual.
Segundo a economista Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, da Esalq/USP e autora do estudo, o setor sucroalcooleiro tem absorvido cortadores de cana em algumas funções dentro da cadeia, como tratorista ou operador de caldeira de usina, mas a grande massa de trabalhadores -muitos analfabetos- ficará desempregada.
Em 2005, dos 519 mil trabalhadores da cana, 150 mil eram analfabetos -o Estado de São Paulo tinha 30 mil. "Claro que a mecanização vai desempregar e atingir justamente essas pessoas que não têm escolarização e não conseguirão ser absorvidas por outras formas de trabalho. São necessárias políticas públicas para começar a absorver essas pessoas, mas até agora nada está sendo feito conjuntamente", disse Azanha.
A pesquisa fez o levantamento da evolução do número de empregados baseado em dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).
CAMINHO SEM VOLTA
Ao menos no Estado de São Paulo já existe uma data para o fim da profissão de cortador de cana: 2017. É o prazo final firmado entre usineiros e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, em protocolo assinado em maio deste ano, antecipando o limite de 2031 que havia sido imposto por lei estadual criada para eliminar gradativamente as queimadas de cana -as queimadas, feitas geralmente à noite, são necessárias para viabilizar o corte manual.
Outro fator é que nos últimos anos aumentou a cobrança pelo cumprimento das normas trabalhistas no campo, principalmente após a morte de 21 bóias-frias, desde 2004, supostamente por excesso de esforço no trabalho.
Neste ano, por exemplo, uma força-tarefa formada por Procuradoria do Trabalho e Subdelegacia do Trabalho, com apoio da Polícia Civil, fez várias blitze em canaviais e alojamentos de bóias-frias no Estado em busca de irregularidades trabalhistas, como a falta de registro, a não-utilização de equipamentos de proteção, jornada irregular e alojamentos precários.
Segundo a Unica (reúne as indústrias sucroalcooleiras), de 42% a 45% da produção de cana no Estado de São Paulo já é colhida por máquinas, índice acima do nacional -entre 35% e 37%. "A mecanização é uma trilha sem volta, e as usinas vão buscar capital para se desenvolver", disse Sérgio Prado, diretor da Unica na região de Ribeirão Preto -uma colheitadeira custa cerca de R$ 800 mil.
As novas usinas, por exemplo, já não contam mais com a figura do cortador de cana, disse Prado. Segundo ele, o papel de inserir os trabalhadores em outras áreas quando a função de cortador for extinta deve ser assumida em conjunto por empresas, sociedade e governo.
A massa de trabalhador sem formação é também migrante, principalmente da região Nordeste e do Vale do Jequitinhonha (MG). Muitas vezes eles embarcam para as zonas canavieiras atraídos apenas por comentários dos vizinhos sobre os ganhos no corte da cana.
"Só tem vindo gente nova. Cortador com mais de cinco anos de safra não chega mais", diz a irmã Inês Facioli, da Pastoral do Migrante. Segundo ela, os cortadores mais experientes não suportam mais a carga de trabalho. Neste ano, o campo tem assistido a um fenômeno revelador dos novos tempos: em plena safra, migrantes estão voltando para suas cidades por terem sido dispensados ou não encontrarem trabalho nas usinas (Folha de S.Paulo, 11/9/07)


postado por: Gustavo Romera Céspedes